Musculação, Treino

O que é isometria e pra quê serve?

setembro 4, 2015

Conforme evoluímos nossos treinos e pesquisamos mais a respeito de assuntos relacionados, nos deparamos com algumas terminologias, conceitos, metodologias, etc. Provavelmente você já ouviu dizer na famosa “isometria”, não é? Viemos contar um pouco mais sobre o que é.

A isometria nada mais é que aquela “seguradinha” que damos em um ponto específico do movimento, e que pode variar alguns fatores, como tempo e ângulo, por exemplo.

A isometria é bom para trabalhar o tempo que o músculo fica sob tensão, o que gera um “desgaste” maior, ou um estresse metabólico, isso quando trabalhada em conjunto com as contrações dinâmicas (concêntricas e excêntricas).

É uma forma eficiente para tratar alguns casos específicos, como o processo de reabilitação, prevenção de dores lombares, manutenção da postura, estabilização da coluna, etc. Além disso, a isometria é válida para gerar ganhos de força e hipertrofia, apesar de sua utilização em programas de musculação ainda carecerem um pouco de respaldo científico. Mas, como sempre digo: qualquer estímulo realizado com um determinado músculo gerará hipertrofia e ganho de força.

O que é a contração isométrica em si?

Primeiramente, é importante ressaltar que, apesar de aparentemente não ocorrer nenhum movimento durante a isometria, dentro da fisiologia, é possível verificar que, dentro do músculo esquelético, as proteínas contráteis (aquelas responsáveis pelo encurtamento do músculo e produção de movimento) estão realizando movimentos. Não é possível visualizar a movimentação do músculo, mas na isometria há trabalho muscular, estímulo neural, e estresse mecânico durante as contrações.

Por que a isometria é comum em casos de reabilitação de lesões?

É simples: a isometria é utilizada em protocolos de reabilitação de lesões por haver a possibilidade de ativação de grupos musculares, sem necessariamente gerar movimento e estresse para a articulação. Além da possibilidade de se isolar um ângulo específico do trabalho muscular, podendo oferecer torques menores e aumento de força em determinados ângulos. 

Como a isometria poderá ser utilizada dentro da musculação?

Apesar dos estudos sobre esse tema serem muito contraditórios e inconclusivos, muitos apontam que a isometria contribui para ganhos similares sobre a hipertrofia e força em relação a contrações concêntricas e excêntricas (os movimentos básicos da musculação), porém nenhuma concentração se mostra tão boa sendo trabalhada isoladamente quando comparada a ações conjuntas — isometria, excêntrico e concêntrico. 

Há relatos sobre ganhos de força dinâmica e na potência muscular com a aplicação do treino isométrico. No que diz respeito à hipertrofia, muitos estudos têm sido realizados em animais, uma vez que, em humanos, muitos fatores teriam que ser levados em consideração, como o nível de treinabilidade, diferentes cargas entre os regimes de contração, métodos de mensuração, e tempo de estudo. 

No entanto, nestes testes, foi levantado que a produção de força e volume é mantida independente do regime de contração. O tipo de contração (excêntrica, concêntrica, isométrica) não parece ser fator diferencial para os estímulos anabólicos e a hipertrofia muscular. Ou seja, todos os tipos de contração podem gerar graus consideráveis de hipertrofia muscular, particularmente em animais (conforme levantado pelos estudos).

Como incluir a isometria no treino de musculação:

    1. Ao final de cada repetição:É comumente utilizada a isometria no final de cada repetição como estratégia de “garantir” o final do movimento, e nesse momento, seguram o exercício em torno de 1 segundo. Uma série realizada com o mesmo número de repetições e velocidade, quando inserida a isometria, irá gerar maior estresse metabólico (“desgaste” muscular”), o que desencadeia os processos típicos da hipertrofia. Assim, é uma estratégia para aumentar o tempo de tensão para um volume de carga, sendo mais apropriado para aqueles que têm como objetivo aumentar o estímulo metabólico ao músculo. 
    2. Fazer isometria ao final de cada série:Essa utilização é bem comum nas séries que utilizam a isometria em conjunto com outras metodologias de contração. A ideia é basicamente a mesma da citada acima: gerar maior estresse metabólico, maior vasoconstricção e os efeitos associados a esses estímulos. 
    3. Em ângulos específicos do movimento:Trabalhar a isometria nesses casos ocorre uma desvantagem mecânica, ou seja, pode favorecer o desenvolvimento de força nesse ângulo específico, mas não como um todo. No entanto, o uso da isometria não gera um padrão diferenciado de ativação muscular. A literatura não sustenta esse tipo de afirmação.

Referências bibliográficas:

 American College of Sports Medicine. Progression models in resistance training for health adults. Medicine & Science in Sports and Exercise, 2009.

 Adams GR, Cheng DC, Haddad F, Baldwin KM. Skeletal muscle hypertrophy in response to isometric, lengthening and shortening training bouts of equivalent duration. J Appl Physiol 96: 1613–1618, 2004.

 Garma T, Kobayashi C, Haddad F, Adams GR, Bodell PW, Baldwin KM. Similar acute molecular responses to equivalent volumes of isometric, lengthening, or shortening mode resistance exercise. J Appl Physiol 102: 135–143, 2007.

 Jones DA and Rutherford OM. Human muscle strength training: the effects of three different regimes and the nature of the resultant changes. J Physiol 391: 1–11, 1987.

 Schott J, McCully K, and Rutherford OM. The role of metabolites in strength training. II. Short versus long isometric contractions. Eur J Appl Physiol 71: 337–341, 1995.

 Smith RC and Rutherford OM. The role of metabolites in strength training. I. A comparison of eccentric and concentric contractions. Eur J Appl Physiol 71: 332–336, 1995.

Jones DA, Rutherford OM. Human muscle strength training: the effects of three different regimes and the nature of the resultant changes. J Physiol 391: 1–11, 1987.


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