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Endorfina vicia?

Abril 29, 2015

Geralmente não treino aos finais de semana. Eu sei que pode parecer “desculpinha”, mas minha rotina é extremamente cansativa e corrida durante a semana, e o final de semana eu costumo reservar para resolver assuntos que ficaram pendentes durante a semana, ou então simplesmente descansar mesmo. Tenho tentado ir pelo menos um dia pela manhã na academia no final de semana, mas nem sempre é possível. Esse foi o meu caso semana passada. Não fui à academia e ainda por cima extrapolei nas jacas do final de semana. Quando chegou segunda-feira, eu era uma Ana Luiza bem inchada e triste. O pior é que a tristeza não era pelas jacadas do final de semana. Era uma tristeza que eu não soube explicar. Comecei a me questionar: será que essa tristeza era porque eu não tinha feito atividades físicas no final de semana?

Bom, eu já tinha ouvido falar que fazer atividades físicas “vicia”. Todo mundo diz que praticar atividades físicas proporciona uma sensação de bem-estar emocional, além de trazer os benefícios físicos. Existe uma explicação científica para esse bem-estar que a atividade física proporciona: a endorfina. A prática constante de um exercício ou esporte diminui a ansiedade, ajuda a descarregar as tensões do dia-a-dia e promove inúmeros ganhos ao organismo.

Endorfina é a junção, literalmente, de “endo = dentro”, + “morfina = analgésico”. A endorfina é um neuro-hormônio, produzido pelo próprio corpo. Ela é capaz de proporcionar o aumento da disposição, melhora no sistema imunológico e alívio de dor.

Por mais pesado que tenha sido um treino, por mais doloroso e estressante que pode ter sido, é comum que as pessoas sintam uma sensação de prazer pós-atividade.

“A prática de atividades promove a liberação dessa substância, que é uma espécie de ‘droga natural’. Por ser produzida pelo próprio organismo, a endorfina é benéfica e funciona como um anestésico natural, que diminui a dor após uma determinada carga de exercícios”, afirma Maurício Pires de Albuquerque, psicólogo clínico e esportivo e professor de Psicologia Esportiva do IEFD/UERJ.

Quando uma pessoa pratica atividades físicas, o organismo produz substâncias, como endorfina, serotonina e dopamina, utilizadas pelos neurônios na comunicação do sistema nervoso – essas são as chamadas neurotransmissores. São produzidas em resposta à atividade física, de forma a relaxar o corpo, preservá-lo da dor e provocar sensação de prazer, euforia e bem-estar.

Além disso, alguns estudos indicam que o exercício pode ser tão efetivo quanto os antidepressivos no tratamento da depressão¹. O exercício aeróbico regular por 30 minutos, praticado pelo menos três vezes por semana, pode ajudar pessoas com depressão moderada, que relatam melhora no humor. Mesmo curtos períodos de exercício, como uma breve caminhada, também podem desencadear um efeito positivo imediato.

A endorfina é produzida na hipófise e liberada para o sangue juntamente com outros hormônios como o GH (hormônio do crescimento) e o ACTH que estimula a produção de adrenalina e cortisol.

A intensidade e a duração do exercício parecem ser responsáveis pela concentração de endorfina no sangue.

Um estudo comparativo entre um exercício aeróbico (com cargas crescentes de intensidade) e outro anaeróbico (com duração máxima de 1 minuto) encontrou concentrações plasmáticas aumentadas de endorfina de forma muito semelhante.

No exercício aeróbico esse nível alto de endorfina foi encontrado após ter sido alcançado o limiar anaeróbico (cerca de 75% do VO2 máx). Observou-se também relação direta entre as concentrações de endorfina e outros hormônios relacionados à atividade física como o ACTH e adrenalina.

Não existe um tempo de exercício pré-determinado a partir do qual a endorfina começa a ser liberada mais intensamente. Estudos demonstraram que tanto exercícios aeróbicos quanto anaeróbicos podem provocar um aumento de endorfina produzida.

Assim, é possível concluir que a endorfina pode ser, sim, “viciante”. O corpo começa a se tornar dependente dessa sensação de bem-estar, e a pessoa pode se tornar “dependente” dessa sensação. Isso não é prejudicial a ninguém, a não ser que comece a afetar as funções básicas e responsabilidades diárias.

Acho que estou viciada, gente! hahahaha.


 

Referências Bibliográficas:

1) Craft LL, Perna FM. Prim Care Companion J Clin Psychiatry. 2004;6 (3):104-111. The Benefits of Exercise for the Clinically Depressed.

2) Goodwin, RD Preventive Medicine 36 (2003) 698?703. Association between physical activity and mental disorders among adults in the United
States.

3) Cruz, Ricardo et al. Benefícios da endorfina através da atividade  física no combate a depressão e ansiedade. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 18, Nº 179, Abril de 2013.


assana

 

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