Aeróbico, Treino

Correr com ou sem tênis? E os tênis minimalistas?

novembro 28, 2014

Nos últimos anos tem surgido uma moda entre aqueles ávidos pela corrida que é o tal do “barefoot running”, ou “corrida descalça”, em tradução livre. Esses corredores optam por correr sem nenhum calçado ou por tênis e sapatos que proporcionam o mínimo de acolchoamento possível. Há mais de 40 anos, praticantes de atividades físicas como corrida afirmam que tênis “macios” previnem lesões e proporcionam maior velocidade. Já aqueles adeptos da prática “barefoot” argumentam que correr sem tênis ou com sapatos minimalistas é mais saudável e seguro. Quem está certo nessa história?

Um breve histórico: há muito tempo atrás, pessoas corriam descalças ou com modelos de calçados bastante primitivos. As pessoas trotavam sobre solos rochosos, grama, areia, o que fosse, e nunca sequer precisavam de algum suporte a mais (lembrando que estou me referindo a tempos bastaaante primitivos). Em alguns locais no mundo, hoje, pessoas ainda correm assim. No entanto, durante as últimas quatro décadas, no ocidente, uma indústria inteira tem crescido por causa de calçados e suas tecnologias cada vez mais inovadoras.

A partir da década de 70, empresas de corrida investiram em cientistas para desenvolver designs mais modernos de tênis para correr. Foi aí que as pessoas começaram a descobrir os termos “neutro”, “pronado” e “supinado”. De repente, escolher o sapato de acordo com o conforto não bastava mais. Era necessário descobrir o seu estilo de corrida e qual sapato seria melhor de acordo com a sua pisada para prevenir lesões. É muito simples isso, né? Comprar um sapato de acordo com a sua pisada parece ser a forma mais fácil de prevenir lesões, e quem não quer isso? Mas há um porém: NUNCA foi provado que sapatos que se dizem “específicos” para determinados tipos de pisada ajudam na prevenção de lesões.

Investigações recentes sugerem que esses sapatos chiques e modernos não impedem que os nossos pés recebam o impacto quando o pé entra em contato com o chão. Na verdade, esses sapatos fazem com que nós não percebamos esse impacto. Aí é que entram os tais dos “barefoot runners” (ou corredores descalços). Foi provado que correr descalço ou com o mínimo de suporte ajuda a diminuir esse impacto. Não há, porém, provas que os sapatos minimalistas reduzem o risco de lesões em comparação com sapatos mais elaborados.

Os estudos provam que nenhuma das duas preferências (correr com o ou sem sapato específico) tem alteração nos riscos de lesões. O que importa mais é a forma de executar o movimento e não o sapato em si. O que ocorre é que o sapato pode alterar essa forma de execução do movimento. Há três tipos de pisada mais comuns: aqueles que pisam primeiro com o calcanhar, aqueles que pisam com o meio do pé, e aqueles que pisam com a ponta do pé. Geralmente, pessoas que utilizam sapatos com menos suporte tendem a pisar com a ponta do pé ou no meio do pé. Enquanto isso, pessoas que utilizam sapatos mais elaborados tendem a pisar primeiro com o calcanhar, o que acaba por aumentar o impacto recebido. Veja só:

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Afinal de contas, qual é a melhor opção, então?

Sapatos que são mais elaborados e especificamente desenvolvidos para corredores oferecem uma falsa sensação de segurança. Nossa consciência corporal, principalmente aquela que diz respeito à nossa pisada, diminui. Mas ao mesmo tempo, quem corre com sapatos minimalistas possui a vantagem de ter uma frequência de pisadas maior que aqueles com sapato. Também impede que o corredor estique a perna demais e assim prejudique a correta execução do exercício. Estudos comprovam que quem corre com sapatos minimalistas ou descalço tem uma maior percepção corporal, assim melhorando os sensos de equilíbrio e estabilidade. Nota-se que há algumas exceções para quem pode ou não correr sem sapatos. Por exemplo, quem possui pés chatos ou diabetes (que podem ter uma diminuição na sensibilidade das extremidades em alguns momentos), não são indicados a praticar corrida descalços, porque podem se lesionar.

Resumindo: ambas as formas de correr estão “corretas”, e não há suficiente comprovação científica a respeito de qual é melhor. Cada forma possui suas vantagens e desvantagens. Há, também, a questão de terreno: há lugares em que é melhor correr descalço, e lugares em que é melhor correr calçado. Cabe a cada um sentir o seu próprio corpo e ver qual opção é melhor.

Eu prefiro tênis com um pouco menos de acolchoamento; gosto de sentir o chão. Mas nunca usei um sapato completamente minimalista, não!


Referências:

Altman Allison R, Irene S Davis. A kinematic method for footstrike pattern detection in barefoot and shod runners. Gait & posture (2012).

Bishop, Mark, Paul Fiolkowski, Bryan Conrad, Denis Brunt, MaryBeth Horodyski. Athletic footwear, leg stiffness, and running kinematics. Journal of Athletic Training (2006).

Bonacci, Jason, Philo U Saunders, Amy Hicks, Timo Rantalainen, Bill Guglielmo T Vicenzino, Wayne Spratford. Running in a minimalist and lightweight shoe is not the same as running barefoot: a biomechanical study. British Journal of Sports Medicine (2013).


assana

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