Aeróbico, Treino

Aeróbico em Jejum (AEJ): Sim ou Não?

outubro 29, 2014

O que  mais encontramos hoje é uma busca incessante pelo corpo “ideal”, o que geralmente significa emagrecimento. Para “auxiliar” essa busca, o que não faltam são as informações, dietas e treinos encontrados na internet, mas o mais importante é que estes métodos poucas vezes demostram estudos fundamentados  que poderiam gerar resultados significativos. Hoje o que está na moda e muito comum entre os praticantes de atividades físicas é o famoso  AERÓBICO EM JEJUM.

O que geralmente ocorre entre praticantes desta atividade é que nem sempre, ou quase nunca, estes estão em pleno jejum — estes praticantes geralmente fazem a diminuição da ingestão de alimentos, porém costumam ingerir alguns suplementos como BCAA (que contém proteínas e aminoácidos) para realizar esse tipo de atividade. Essa prática já demostra uma falha, já que jejum é ficar sem ingerir alimento algum.

É importante salientar que essa pratica também é comumente realizada no período da manhã. Praticantes geralmente praticam entre 30 a 60 minutos de caminhada. O que chama a atenção para os efeitos negativos é que, praticando a atividade logo pela manhã, criamos um grande problema quando falamos de batimentos cardíacos e estado basal. Não se recomenda acordar e logo depois realizar a prática de uma atividade física de intensidade lenta e moderada, uma vez que no estado basal o atleta se encontra com os batimentos baixos, ou seja, coração executando sua menor atividade, mantendo o organismo vivo. Ao realizar a atividade de leve a moderada, seu coração terá um pico de batimento, assim poderemos afetar o funcionamento do mesmo.

Para realizar uma atividade física logo pela manhã, se recomenda no mínimo uma hora de intervalo entre o despertar e a atividade física a ser realizada. A intenção de fazer tal atividade logo pela manhã é baseada na ideia de aproveitar as baixas reservas de glicogênio na corrente sanguínea, o que ocorre após uma noite de sono. Assim, em teoria, nosso corpo priorizaria a oxidação de gorduras para a produção de energia a atividade física. Ou seja, queimaríamos gorduras, e assim, emagreceríamos.

Em termos técnicos, sabemos que o organismo prioriza as gorduras como fonte de energia a partir dos 64% do Vo2max, considerado atividade leve e moderada e tornando insuficiente esta produção de energia após 89% do Vo2max, o que corresponderia a 90% da frequência cárdica da atividade (Achten et al., 2002; Romijn et al., 1993). Estudos voltados para o AEJ  mostram que a não ingestão de alimentos (carboidratos), para a realização do AEJ, não aumenta a queima de gordura, ficando assim o praticante da atividade em risco ao invés de alcançar o objetivo. Mesmo quando o jejum é real (sem ingestão de aminoácidos ou proteínas), os resultados das pesquisas não apoiam essa prática. (Paoli et al. 2011) Pode-se verificar a diferença no metabolismo das gorduras durante um exercício aeróbio moderado (36min/65%FC) na esteira pela manhã em duas situações: 1) alimentado e 2) jejum (jejum de verdade, inanição total).

Como bem explica Eduardo Porto (http://www.gease.pro.br/artigo_visualizar.php?id=249): “Doze horas após o exercício, o grupo que se alimentou continuava com o VO2máx elevado, enquanto o quociente respiratório reduziu significativamente, indicando maior utilização de gorduras na situação alimentado, mas não quando o exercícios era realizado em jejum. E 24hs após o exercício, a diferença ainda era significativa, com maior gasto energético e de gordura para quem se alimentou antes do exercício. Assim, os autores concluíram que o exercício aeróbio moderado, para perda de peso, realizado em JEJUM, não aumenta a oxidação de gorduras, e uma refeição leve é aconselhável.

O jejum também não se mostrou superior mesmo após seis semanas de Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) em mulheres obesas ou com sobrepeso. Ou seja, não é o estado de jejum que favorece a oxidação de gorduras, como muitos acreditam, mas a intensidade do exercício (Gillen et al 2013).” Nossa opinião, então? É melhor realizar a prática de exercícios físicos de forma “convencional”, se alimentando e realizando o intervalo aconselhado de uma hora após acordar, uma vez que as pesquisas mostram que não há maior queima de gordura com o famoso AEJ.


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